6/12/2014

A minha profissão é escrever. Mas não sou jornalista. Ainda bem.


A notícia é esta. Diz que a empresa Controlinveste, detentora do DN, JN, TSF e O JOGO, vai proceder ao despedimento coletivo de 160 trabalhadores.

Não sou jornalista, mas podia ser. Não digo que quisesse ser, nem que não quisesse.  O facto é que desisti facilmente de entrar num mercado de trabalho que, quando acabei o curso de Comunicação Social há mais de 10 anos, já era muito pouco recomendável.

Gostei muito do curso, fez-me ter experiência incríveis e crescer muito como pessoa. Aprendi a ser mais independente e autónoma e, sobretudo, a desconstruir os factos, as situações e as realidades, de maneira a voltar a construir essas realidades de uma forma objetiva e interessante. Gostava mesmo muito disso mas, a realidade dos media, apresentou-se-me rapidamente como algo bem distinto da ideia romântica que tinha. Percebi que a maior parte das empresas vivia de estagiários que trabalhavam de graça.

Escrevi menos do que podia mas mais do que devia. Gratuitamente. Até me fartar. Podia dizer que não tinha andado a queimar pestanas durante 5 anos  para trabalhar gratuitamente para grandes ou pequenas empresas, que não iria vender o que fazia de melhor por tão pouco mas, a verdade é que como ser humano normal que sou, (apesar de estar sempre de dieta) também preciso de comer. De modo que tratei de arranjar um trabalho que me pusesse dinheiro na conta ao final de cada mês. Trabalhei numa loja de roupa, num Call Center e numa empresa de Recursos Humanos até conseguir, finalmente, trabalhar em comunicação... empresarial. Assim como assim, o jornalista trabalha, sempre  muitas vezes, sujeito aos interesses do poder económico da empresa que detém o jornal onde escreve, por isso, é mais honesto fazer comunicação empresarial de vez.

Gosto do que faço. Gosto muito.

Mas também gostei de ter querido ser jornalista. Esse desejo ensinou-me a escrever, a pensar de forma critica, e a reconhecer a informação manipulada que passa todos os dias nos media. Querer ser jornalista abriu-me uma série de portas de perceção da realidade.  Todavia, ainda bem que não segui essa profissão.

Escrevo o que quero neste blog. Chega-me. Nos tempos que correm é a melhor opção. Bem bom que ela existe. Aliadas a esta opção vêm vantagens de uma liberdade relativa e o facto de escrever, ainda que gratuitamente, para mim mesma e não para outros.

E ser jornalista, hoje, é isto. É ser blogger. A possibilidade está ao alcance de qualquer um. O que se faz com ela, é outra coisa.

No entanto, ser jornalista por conta de outrem... ainda bem que não sou.


3 comentários:

Dora disse...

Lembraste quando te encontrei no metro? Foi na altura que estavas na loja de roupa.

Purpurina disse...

Yes. Já lá vão uns belos anos e a coisa não melhorou. Olha, quase que digo: "Antes tivesse estudado Comunicação Empresarial" :) Mas gostei muito do curso. A verdade é que me abriu portas mas não no jornalismo.

Purpurina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.