2/18/2014

Árvore da Vida



Vi o filme "Árvore da Vida" em Alvalade, o cinema com melhor horário e que, pela localização e por ser um cinema tão recente, me pareceu ter um tipo de público diferente daquele que encontro geralmente na cinemateca ou em locais mais antigos. Não que tenha alguma coisa contra esse "tipo de público", até porque faço parte dele mas… naquele dia não me estava a apetecer muito, se é que me percebem.

Fui então ao cinema e, ao entrar na sala: surpresa! Os velhinhos e os freaks estavam todos lá! Sentei-me no lugar marcado, mesmo ao lado de uma velhinha que me tentou explicar uma piada dos anúncios que passam antes do filme. Logo que me libertei da difícil tarefa de tentar entender o sentido do que a senhora estava a dizer, dediquei-me ao visionamento do filme.

O filme decorreu com normalidade até que, quase sem dar por isso, começaram a surgir sequências de imagens da natureza em toda a sua força, maravilha, grandiosidade e mistério: rios, cascatas, seres biológicos e mitológicos...

Um velhote, sentado duas filas abaixo da minha, começou a falar mal do filme de uma forma bem audível, repetindo frases como: “Que merda de filme!”, “Que porcaria!”, “Filme de merda!”, “Fui enganado!”, “Que treta!”, “Olhem-me para esta merda!”.

Como é óbvio, passados cerca de vinte minutos destas cenas e das queixas do homem, esperava vê-lo levantar-se e sair, o que não aconteceu. Parece que, já que tinha pago o bilhete, ficaria ali até ao fim, nem que fosse a infernizar os outros espectadores.
 

A determinada altura (não demorou muito uma vez que a paciência não é uma das minhas virtudes) comecei a passar-me. O homem estava a irritar mesmo muito! Na minha mente surgiu a vontade gigante de o mandar calar quando, de súbito, alguém emite um sonoro, intenso e imperativo: "Schhhhhhhhhhhh". Seguiram-se imediatamente admoestações semelhantes de outros espectadores igualmente irritados. Fiquei uns momentos indecisa entre a surpresa e o alívio mas, quanto mais tentava concentrar-me no filme mais me lembrava do caricato da situação, até que me deu um ataque de riso daqueles que fazem chorar. O homem lá continuou a resmungar até que uma senhora foi chamar alguém para o tentar calar.

Entretanto o filme retomou a ação dita "normal" e o homem, finalmente, colocou-se em silêncio.

Quanto ao filme, é uma recriação poética da forma de encarar a vida do protagonista: um homem maduro que vive as angústias herdadas da experiência que foi a sua infância, marcada por um pai  autoritário e desiludido, uma mãe carinhosa mas impotente, e a tragédia da morte de um irmão.

O filme é interessante mas torna-se um pouco maçador. Acredito que, com menos imagens da natureza e menos cenas, se poderia dizer o mesmo, garantindo uma melhor atenção das pessoas. Não deixa de ser um bom filme, repleto de imagens sublimes e interpretações irrepreensíveis. 

O Brad Pitt tornou-se, definitivamente, um dos melhores atores da sua geração.

2 comentários:

Dora disse...

Bem, eu passava-me com uma pessoa assim na sala de cinema!

O Brad Pitt já é muito bom há muitos anos. Vê "Kalifornication" e "Too young to die".

Purpurina disse...

Vi o ""Kalifornication" , o outro não. Vou tratar de ver o outro. :)