12/17/2009

Actividade Paranormal



"Paranormal Activity" é, sem dúvida, um filme barato. Se é um bom filme ou não depende das expectativas e preferências de cada um.

Para quem gosta deste género de terror é um bom filme, para quem não dispensa efeitos especiais e monstros irreais já não será tão bom.

Fui ver o filme com moderada expectativa mas, ao contrário de considerável parte dos espectadores não vi as minhas expectativas goradas, muito pelo contrário.
Sou um pouco suspeita porque gosto especialmente de filmes com pouca produção, principalmente neste género que vigora desde o " Blair Witch Project".

Na minha opinião o que define realmente um filme é a ideia original e todo o guião que lhe dá forma (Seja ele em papel ou estando apenas na mente do autor). Este guião vai definir o que um filme deve ser, o ambiente que deve geral, a forma como uma história ou um acontecimento vai transformar-se numa sequência lógica de acontecimentos ou pensamentos aos olhos do espectador.
Depois, a produção pode ser muita ou pouca, boa ou má, mas não é ela que vai definir o filme ou a sua viabilidade.

Este filme teve um guião muito bom e a ideia é simples mas foi muito bem concebida.

Temos uma situação que não é estranha a ninguém; se nunca vivemos esta experiência
conhecemos alguém que conhece alguém que jura que a viveu.
De uma forma ou de outra, estes fenómenos paranormais estão presentes no nosso imaginário desde a infância, não se trata de monstros inverosímeis ou fantásticos mas de "paranóias" que nos podem ser mais ou menos familiares.

Depois, temos todo o ambiente que nos aproxima dos personagens. Um casal jovem e
banal, tão banal que podíamos ser nós, aquela podia ser a nossa casa ou dos nossos amigos. Ela é uma rapariga simpática, meiga, assustada e comum. Ele, o namorado céptico, bem humorado e brincalhão que não leva a situação muito a sério mas sente-se desafiado por ela ( a situação).

Durante a primeira metade do filme não se passa quase nada. Ficamos como mirones a observar o quotidiano daquelas duas pessoas: as suas conversas, brincadeiras e actividades banais de quarto, cozinha e casa de banho.


Tudo o que acontece não passa de senso comum: as actividades paranormais mais ou menos intensas, a ideia de que não devemos mexer com entidades malignas sem as convidar de vez entrar na nossa vida é o que acontece na película: é aberta uma porta e a criatura invisível impõe-se; ela deixa de mexer com pequenas coisas e começa a mexer com as pessoas, qual demónio brincalhão divertindo-se a estraçalhar os nervos de Micah e Katie e também os nossos.
Assustamo-nos com a escuridão, com um barulho e com tudo que não acontece (e que não sabemos o que é) qual crianças pequenas com medo do que está no armário ou debaixo da cama.

Quando a entidade começa a mexer com as pessoas torna-se arrepiante, aquela coisa que podia não ser nada começa a mexer verdadeiramente com Katie e permanece completamente anónima; sabemos que está ali (temos provas físicas) mas não podemos ver e não podemos fugir.
No final, acontece o mais ou menos imprevisível e é perfeito.

Vi o filme em Ponta Delgada e, aqui, faz-se intervalo a meio do mesmo; durante o intervalo um casal (talvez aborrecido com a falta de acção) retirou-se e não voltou durante uns 30 minutos.
Quando voltou já estávamos na parte em que a entidade paranormal tomava conta de Katie levando-a a ter atitudes bizarras como ficar parada, em pé, durante horas, na mesma posição virada para o namorado enquanto este dormia. A rapariga que que havia saído da sala resolveu ir buscar as pipocas mesmo depois disto e o facto de ver uma rapariga de pé ali ao meu lado estava a dar-me cabo dos nervos.
O meu inconsciente dizia-me que devia perguntar-lhe o que estava ali a fazer em pé, a meio do filme como uma tola e dei por mim a olhar para ela com bastante impaciência
Et voilá, uma fórmula barata e muito eficaz de fazer um bom filme.

2 comentários:

O Homem Que Sabia Demasiado disse...

Por acaso não gostei do filme. Achei uma experiência pobre.

LN disse...

nice blog.
!