2/25/2015

The Fall

        

Finalmente uma série que deixou completamente colada ao ecrã desde o primeiro episódio. Isto só me aconteceu uma vez, com a série "Breaking Bad".
Gosto de tudo: do argumento, da produção, das interpretações, dos diálogos e até da peculiar pronúncia irlandesa (a série passa-se na Irlanda do Norte).

A história não é original: uma detetive da polícia é chamada para investigar uma série de assassinatos de jovens mulheres, com características físicas muito semelhantes, mas este facto é, provavelmente, o que existe de mais banal na série. Tudo o resto é fenomenal.

Aconselho vivamente a qualquer pessoa com mais de 14 anos.

Nota completamente irrelevante: se eu soubesse, antes de ler as críticas ao filme, que o gajo de "Fifty Shades of Grey" era o sombrio Paul Spektor desta série, era bem capaz de ter ido ver o filme "ao engano".


2/24/2015

3 coisas que eu julgo saber sobre bebés

Os bebés não precisam de muitas coisas.
Quando estava grávida pesquisei imenso sobre o que levar para a maternidade, o que ter em casa, o que é indispensável para um bebé, etc, etc, etc. Encontrei listas intermináveis de roupinhas, creminhos, cadeirinhas e muitas coisas das quais nunca tinha sequer ouvido falar. Claro que a minha experiência com crianças era nula e não sabia, de todo, por onde começar. 
Felizmente tenho a sorte de ter muitas amigas com experiência que não só me passaram um conhecimento valiosíssimo, como tiveram a generosidade de me emprestar imensas coisas. A minha filha tem quase um ano e, até agora, posso afirmar que uma criança não precisa de tantas coisas como faz parecer o marketing extremamente agressivo que existe à volta do bebé. 
Para além da atenção e amor dos pais, o bebé precisa de um berço, roupinhas confortáveis, um carrinho com ovo, uma cadeirinha para o carro, muitos babetes e pouco mais. 

Se as sopas forem muito saborosas e doces os bebés comem.
Este é um terreno perigoso para falar, porque imagino que existam muitos casos de crianças que simplesmente não gostam de comer. A minha filha, se pudesse, comia o prato e tudo mas gosta mais de umas sopas que de outras. As preferidas dela são mais consistentes e com batata doce. No inicio eu provava as sopas todas para ter a certeza que eram bem saborosas. E ela foi comendo. Existem outras que não me correm tão bem, e ela não tem problemas nenhuns em cuspi-las para a minha cara (não cospe muito porque sou pessoa para lhe aplicar uns açoites educativos - not).

O método Estivill não é o único que os coloca a dormir bem.
Devo dizer que este método não é para todos os pais nem para todos os bebés. Não tenho nada contra o seu uso e, pelo que tenho ouvido dizer, é mesmo muito eficiente. Mas eu não consegui usá-lo. Ou porque sou impaciente ou porque sou mole que nem uma banana. A última hipótese é a mais provável. 
Fui misturando uma data de técnicas pouco recomendáveis para colocar a bebé a dormir, desde embalá-la, amamentá-la antes de dormir e impedi-la de se levantar até ela se cansar e adormecer. O facto é que fomos adaptando os métodos à nossa disponibilidade e paciência, e ela vai adormecendo melhor. Continua a acordar muitas vezes mas, regra geral, basta colocar a chucha e ela volta a dormir.

Devo dizer que esta é a minha experiência pessoal e não a considero, de forma nenhuma, uma verdade absoluta. As coisas funcionaram assim comigo, o que não significa que procedimentos completamente diferentes não funcionem com outras mães e outros bebés. 
Apenas partilho a minha experiência com a esperança de que, de alguma forma, possa ajudar outras pessoas.

2/19/2015

Iogurtes caseiros #1

Fiz hoje os meus primeiros iogurtes caseiros.
Já tinha experimentado fazer sem iogurteira e não deu muito certo. Desta vez, com a iogurteira, correu tudo lindamente. É muito fácil e ficam mesmo muito bons. Agora que experimentei, duvido que volte a comprar iogurtes no supermercado. O sabor é mesmo muito melhor e mais fresco, é uma diferença muito grande.

Desta vez fiz naturais mas vou, certamente, experimentar muitas variedades.

Passo a descrever o modus operandi:

Misturar um iogurte natural (bem mexido até ficar quase liquido) e um litro de leite gordo.

Distribui-se nos copos de iogurte e vai à iogurteira durante 15 horas.

Depois de arrefecerem, vão para o frigorifico.

Mais simples não há. 

Acompanhei o iogurte com nozes em pedaços.




2/16/2015

2/15/2015

Before I go to Sleep

       

Gostei. 
Para mim é o filme da pipoca perfeito: Uma mulher acorda todas as manhãs sem se lembrar de nada. O marido tem que lhe contar a história da sua vida, todos os dias, desde que sofreu um misterioso acidente. Apesar da amnésia, e com a ajuda de um médico, a protagonista vai descobrindo a terrível verdade sobre o que lhe tem acontecido nos últimos anos.
Não é um filme que me fique na memória por muito tempo mas cumpriu bem o seu objetivo de entretenimento. 
Chamar-lhe-ia um filme que desenrasca muito bem uma tarde de domingo, que se quer preguiçosa e relaxante. 

2/14/2015

Homesman



O melhor filme que vi este ano! Não percebo porque não está nomeado para os óscares!
Não é um filme sobre grandes feitos heróicos, ou sobre pessoas extraordinárias, ou famosas, ou extremamente inteligentes. Se calhar é por isso que não está nomeado.
Na verdade é um filme sobre pessoas infames. Sobre pessoas que, mesmo tendo uma ou outra característica simpática, têm outras que as tornam menos agradáveis, menos bonitas, menos dignas... mais reais, mais comuns, mais pessoas.
Este é dos poucos filmes que quase me fizeram escapar uma lagrimazita (não compreendo quem chora com "The Theory of Everything").
É um dos filmes mais humanos que já vi.
É, certamente, o melhor que já vi sobre os efeitos devastadores do medo da solidão. 

2/10/2015

Purga


A meia dúzia de domingos de verão em que nos levantamos de madrugada e saímos de casa ainda de noite, para estar na Costa da Caparica às oito horas, são os dias mais felizes da minha infância.
Hoje, a minha melhor amiga vai connosco.
Estou tão feliz, aos quinze anos, a correr atrás de memórias que nunca vão existir!
Enfio a minha euforia na mochila, materializada numa boia gigante em forma de tartaruga ninja. Vou galgar ondas em cima dela!
Sentamo-nos no melhor metro quadrado de areia dourada e macia da praia e, com o espírito inchado de entusiasmo, sopramos à vez para dentro do gigante insuflável.
Chegam cada vez mais pessoas.
À nossa frente, três jovens de dezoito anos, um casal e uma rapariga, tapam-me a vista e a leveza de alma. Em menos de três segundos, com sorrisos trocistas e expressões de gozo, colocam a nú a verdade da nossa condição. Adolescentes já com corpo de mulher a brincar como crianças com um brinquedo parvo de saloias, a soprar até à exaustão numa disformidade verde.
Doí-me na alma o reflexo que tenho de mim. A boia, inerte e triste, abandonada ao lado do saco das sandes, já não serve para nada.
Eu e a Ana amuadas. Desejo com toda a força e humilhação da minha mente que eles implodam.

Um alvoroço à distância espanta-me momentaneamente os desejos. Um labrador excessivamente gordo corre pela praia cheia de gente. Em camara lenta… muito lenta… É assim que o vejo, com as patas enormes, a aterrar nas costas da rapariga que sorria da minha tartaruga ninja. Sem incomodar mais ninguém, segue o seu caminho.
Ela geme. Ele sopra pateticamente para as costas dela.
Arrumam apressadamente as coisas. Irão ao hospital. Apoiada ao namorado, a coxear, ela lança-me um olhar dolorido.
Desaparecem e, no lugar deles, deixam uma vista mais ampla para o mar.
Viro-me para a Ana: “Que limpeza!”