2/15/2015

Before I go to Sleep

       

Gostei. 
Para mim é o filme da pipoca perfeito: Uma mulher acorda todas as manhãs sem se lembrar de nada. O marido tem que lhe contar a história da sua vida, todos os dias, desde que sofreu um misterioso acidente. Apesar da amnésia, e com a ajuda de um médico, a protagonista vai descobrindo a terrível verdade sobre o que lhe tem acontecido nos últimos anos.
Não é um filme que me fique na memória por muito tempo mas cumpriu bem o seu objetivo de entretenimento. 
Chamar-lhe-ia um filme que desenrasca muito bem uma tarde de domingo, que se quer preguiçosa e relaxante. 

2/14/2015

Homesman



O melhor filme que vi este ano! Não percebo porque não está nomeado para os óscares!
Não é um filme sobre grandes feitos heróicos, ou sobre pessoas extraordinárias, ou famosas, ou extremamente inteligentes. Se calhar é por isso que não está nomeado.
Na verdade é um filme sobre pessoas infames. Sobre pessoas que, mesmo tendo uma ou outra característica simpática, têm outras que as tornam menos agradáveis, menos bonitas, menos dignas... mais reais, mais comuns, mais pessoas.
Este é dos poucos filmes que quase me fizeram escapar uma lagrimazita (não compreendo quem chora com "The Theory of Everything").
É um dos filmes mais humanos que já vi.
É, certamente, o melhor que já vi sobre os efeitos devastadores do medo da solidão. 

2/10/2015

Purga


A meia dúzia de domingos de verão em que nos levantamos de madrugada e saímos de casa ainda de noite, para estar na Costa da Caparica às oito horas, são os dias mais felizes da minha infância.
Hoje, a minha melhor amiga vai connosco.
Estou tão feliz, aos quinze anos, a correr atrás de memórias que nunca vão existir!
Enfio a minha euforia na mochila, materializada numa boia gigante em forma de tartaruga ninja. Vou galgar ondas em cima dela!
Sentamo-nos no melhor metro quadrado de areia dourada e macia da praia e, com o espírito inchado de entusiasmo, sopramos à vez para dentro do gigante insuflável.
Chegam cada vez mais pessoas.
À nossa frente, três jovens de dezoito anos, um casal e uma rapariga, tapam-me a vista e a leveza de alma. Em menos de três segundos, com sorrisos trocistas e expressões de gozo, colocam a nú a verdade da nossa condição. Adolescentes já com corpo de mulher a brincar como crianças com um brinquedo parvo de saloias, a soprar até à exaustão numa disformidade verde.
Doí-me na alma o reflexo que tenho de mim. A boia, inerte e triste, abandonada ao lado do saco das sandes, já não serve para nada.
Eu e a Ana amuadas. Desejo com toda a força e humilhação da minha mente que eles implodam.

Um alvoroço à distância espanta-me momentaneamente os desejos. Um labrador excessivamente gordo corre pela praia cheia de gente. Em camara lenta… muito lenta… É assim que o vejo, com as patas enormes, a aterrar nas costas da rapariga que sorria da minha tartaruga ninja. Sem incomodar mais ninguém, segue o seu caminho.
Ela geme. Ele sopra pateticamente para as costas dela.
Arrumam apressadamente as coisas. Irão ao hospital. Apoiada ao namorado, a coxear, ela lança-me um olhar dolorido.
Desaparecem e, no lugar deles, deixam uma vista mais ampla para o mar.
Viro-me para a Ana: “Que limpeza!”

2/08/2015

Dicas de poupança na conta de eletricidade ou como ter a cara escavacada em três tempos



                                  
 
Cá em casa somos muito poupadinhos. Não só no que diz respeito ao dinheiro mas também ao tempo. Assim sendo, banhos coletivos (entenda-se com a participação de duas pessoas) são uma ocorrência muito comum.
O homem da casa é conhecido pelas suas extraordinárias qualidades mas, também, por ser um pouco distraído (entenda-se muito trapalhão). Ou isso ou ando a ser vitima de violência doméstica da forma mais descarada possível.
Sucede o seguinte: nos últimos dias enquanto, de olhos fechados, massajo tranquilamente a cabeça cheia de espuma, sou brindada com uma valente cotovelada num olho, ou uma murraça no queixo, ou uma estridente dedada no nariz. Claro que o meu amável companheiro de banhos fica adequadamente consternadíssimo quando isso acontece. E eu adequadamente a ver estrelas. 
Se o homem não deixar de se esfregar como se estivesse a fazer a dança da chuva acho que vou passar a tomar banho de capacete. 

2/05/2015

American Sniper


Continuando na ronda dos filmes de 2014, candidatos aos óscares, vi ontem o American Sniper.

Não sei se é uma moda passageira ou mesmo falta de imaginação mas têm aparecido cada vez mais dramas biográficos no cinema.
O American Sniper é apenas mais um. O filme conta a história daquele que é considerado o atirador mais letal da história militar dos EUA, com 160 execuções confirmadas pelo pentágono.
Gostei do filme. Não o achei nada "pró América" como já tinha ouvido dizer. Achei-o objetivo e factual. Na verdade, fiquei com uma sensação engraçada de gratidão por ter nascido num país de brandos costumes.

Depois do filme, considerei tão bizarra a cultura do Iraque como a dos EUA, embora de formas diferentes. 

Em relação à parte da cultura Iraquiana retratada no filme que entra em confronto com a minha própria cultura, nem é necessário falar, tal é o tamanho abissal das diferenças que nos separam.

Quando à cultura Americana, todas as bandeiras que aparecem, símbolos do enorme patriotismo que parece existir entre americanos, e a naturalidade com que se encaram as armas, deixaram-me um bocado chocada.

É um filme que não vai para a minha lista dos memoráveis. 
Parece que, da fraca “safra” de 2014, nenhum vai.

2/03/2015

2/02/2015

Coisas que me fazem "espécie"


Andava eu a fazer o passeio higiénico de domingo, pelo centro comercial, quando me deparo com o Saramago com uns sacos ao pescoço com a seguinte mensagem: "O dinheiro não dá para comprar a felicidade mas dá para comprar livros que é quase a mesma coisa."

Chamem-me picuinhas, coninhas e outras coisinhas, mas aquilo pareceu-me esquisito, de mau gosto, lamentável até.