10/23/2014

As (peculiares) preocupações das pessoas


Andava eu a passear pela blogosfera, quando me deparo, em muitos dos meus blogs preferidos, com o tema quente do momento: a cara da Renée Zellweger. Parece que a eterna Bridget Jones, depois de algum tempo sem aparecer nos ecrãs, surgiu irreconhecível num evento social, o que logo fez a imprensa internacional desconfiar da intervenção de um bisturi ou, pelo menos, de uma "seringada" de botox, naquela carinha outrora laroca.
Ora, todos nós fazemos fofocas de vez em quando e falamos deste ou daquele traje mal amanhado da gaja que passou na rua mas, a forma crescente como este assunto está a espalhar-se e recolher comentários deixa-me meio abananada. Se a discussão andasse à volta dos conceitos de beleza atuais, da perigosidade de certas práticas estéticas para a saúde física ou psicológica das pessoas era uma coisa mas, na maior parte dos casos, as pessoas mostram-se chocadas apenas porque a senhora está feia depois da plástica, chegando a apelidá-la de louca, fútil e "não-humana". Really?
Aquilo que uma mulher adulta faz com o seu dinheiro e com o seu corpo é um caso assim tão sério para tanta gente? Num mundo com tantos defeitos, com tantas coisas erradas, com tanto dinheirinho a voar dos nossos bolsos mensalmente, a emagrecer ainda mais os nossos (muitas vezes já muito magros) salários para termos acesso a serviços de saúde e de educação, no mínimo lamentáveis, as pessoas juntam-se em massa para num movimento que tem o nome de: "O que aconteceu à cara da Renée Zellweger?"
Se alguém faz parte deste movimento ou o entende, que faça o obséquio de o explicar a esta mente cansada. 

10/16/2014

Sobre Reclamações

Costumo dizer, mais ou menos a sério, que sou uma profissional das reclamações. Isto porque, sendo filha única, tenho uma baixa tolerância à frustração e, quando me deparo com situações menos agradáveis, salta-me logo a tampa. Mentira, não é por isso. Bem, se calhar é um pouco mas, a principal razão porque reclamo, é por considerar que cada um de nós é responsável pelo mundo onde vive e, negligenciar uma situação desagradável com o silêncio, é uma espécie de atentado contra a sociedade.

Claro que as situações de que reclamo são muito inconsequentes em relação às situações de que deveria mesmo reclamar.  Não estou aqui a tratar daquelas causas pelas quais vale mesmo a pena lutar, que isso é um assunto bem mais sério e será matéria para outro texto. Hoje, falo mesmo de reclamações amesquinhadas, daquelas que surgem em situações que nos ferem um pouco o orgulho e a paciência mas não a alma.

Aprendi a reclamar atendendo pessoas. Sei que, muitas vezes, as pessoas reclamam sem razão nenhuma, querem tudo e mais alguma coisa por cinco tostões e ainda com troco. Outras há que, tendo problemáticas na vida, descarregam as frustrações na primeira pessoa que lhes aparece à frente e, sendo essa pessoa alguém que lhes está a prestar um serviço, aproveitam para a achincalhar bastante. Garanto-vos que não sou assim.

Já estive do outro lado muitos anos, 8 horas por dia, a atender pessoas simpáticas, antipáticas, preguiçosas, despachadas, loucas, más, completamente apanhadas da marmita... enfim, de tudo. Esforcei-me sempre por atendê-las bem. Nem sempre aconteceu. Entrei em confronto algumas vezes, poucas vezes, e entendo que cada um de nós tinha a sua parcela de razão.
Tenho uma noção clara do que deve ser um bom atendimento ao cliente mas não exijo para mim um atendimento magnifico, contento-me com um atendimento aceitável.

De modo que me considero uma reclamadora bastante assertiva e, se sinto que estão mesmo a lixar-me e a fazer-me perder tempo, roço uma certa falta de polimento, mas nada que alguma vez me faça alterar a voz: apenas me ocorre uma dilatação de narinas e um arregalar de olhos mais ou menos assustador.

Dito isto, a única coisa que peço (e acho que não é exigir muito) é que me tratem com algum respeito ou, de preferência, com o respeito correspondente ao que eu demonstro para com o meu interlocutor.

Vejamos algumas situações que me tiram do sério:

-  Marco depilação para as 10 horas da manhã, a primeira marcação do dia. Lá vou eu, toda satisfeita a subir as escadas do prédio do Gabinete de Estética, quando me cruzo com a esteticista que, com a maior das descontrações, me diz que vai só tomar um cafezinho. Hmm, já não estou a gostar muito (o vinil ficou a tomar conta da bebé e tem uma reunião às 10h30) mas tudo bem. Subo as escadas com a intenção de ficar a ler uma revista enquanto espero, mas dou com o nariz na porta. Excelente receção da cliente sim senhora! Para quê sentá-la na sala de espera a ler revistas cor de rosa, quando a podemos deixar a usufruir de um cenário vintage a 4 D: especada no interior de um prédio velho, com cheiro a mofo e, se abrir muito a boca, ainda leva o bónus de serradura de térmita nos dentes.

- Mais uma vez faço a primeira marcação do dia, desta vez de uma consulta médica. O médico, naturalmente, atrasa-se mais de 20 minutos. Tudo bem. Durante a consulta, o senhor doutor desaparece de cena... durante mais 20 minutos, para efetuar um procedimento noutro paciente. Dei por mim a questionar-me acerca do que levará os médicos a pensarem que o tempo deles vale mais que o nosso? Hm será o facto de, em Ponta Delgada, ter de esperar praticamente um ano por uma consulta (nada barata por sinal) ou, em alternativa, viajar 2 horas de avião para ter uma mais cedo? Pois, se calhar é isso. Às vezes sinto-me parte de uma multidão, que com uma paciência morna de alentejano, fica à espera de um clinico geral que chega à ilha de jangada, uma vez por mês.

- Quando preciso de novas lentes de contacto, sem alterar graduação, vou ao oftalmologista pedir uma receita.  Sempre correu bem até ao último dia que o fiz. A rececionista, não conseguindo convencer-me a marcar uma consulta, resolve cobrar-me 2€ pela vinheta que iria colar na receita. Tudo bem. Quando lhe peço a fatura mostra-se muito chocada e diz que nunca antes lhe tinham pedido tal coisa. Pois, também nunca antes me tinham pedido dinheiro para colar um autocolante numa receita. Ainda tive que esperar montes de tempo enquanto ela dizia que o programa de faturação não estava a funcionar. Estava a tentar vencer-me pelo cansaço. Quando me fartei de esperar disse: "Sabe que não passar fatura é ilegal não sabe?" A fatura apareceu no minuto seguinte.

- Ligo à  gestora de conta do meu banco várias vezes, acerca daquele assunto de que ela já tem conhecimento de que é urgente, sem que ela se digne a atender ou a retribuir a chamada. O processo continua por mais alguns dias. Quando, finalmente, atende diz que, por acaso, mais uma etapa do assunto acaba de ser resolvida. E assim sucessivamente. Os assuntos vão sendo resolvidos, curiosamente, depois de muitas apertadelas e telefonemas da minha parte. Gostava de saber para que serve uma gestora de conta que só vai fazendo as coisas empurrada por uma insistência doentia do cliente.

- Preciso de comprar casa e dirijo-me a uma imobiliária.O gerente fica uma hora a conversar comigo para perceber o tipo de produto que quero. Digo-lhe claramente que estou interessada em apartamentos a reluzir de novos, no centro da cidade e ele põe-me a ver moradias a cair de velhas na conchinchina.

- Compro um vestido para uma festa e, ao chegar a casa, constato que não fica muito bem com os sapatos que tenho. Verifico que o vestido está em condições, agarro no talão de compra e, não havendo outro artigo na loja que eu queira, peço para me fazerem a devolução. A funcionária da loja mostra-se incomodada, lamenta a situação e informa que, de acordo com a politica da loja, não se efetuam devoluções. Olho para o lado do balcão onde está um cartaz gigante a indicar o seguinte : "Para trocas e devoluções deve apresentar o talão de compra no prazo de um mês." Interrogo-me se a senhora estará a gozar comigo ou se é mesmo parva.

- Entro numa loja e pergunto a uma das meninas se têm calças pretas com boca de sino. Não têm de momento. Ao caminhar para a  saída, tropeço em 3 modelos diferentes de calças pretas com boca de sino.

E pronto, são estas coisinhas que me esfrangalham um pouco os nervos.
Mas isso sou eu, uma autêntica flor de estufa.



9/29/2014

Lolita



Adaptação cinematográfica da obra de Vladimir Nabokov, que relata a relação, conturbada e moralmente inaceitável, entre um homem de meia idade e a sua enteada de 12 anos (no filme Lolita tem 14 anos).
Os amantes viajam pelos EUA, fingindo ser pai e filha, até que a sua relação evolui para um estado psicologicamente insustentável, culminando num inevitável crime de expiação de culpa.

Dirigido por Adrian Lyne.

Brilhantemente realizado e interpretado, eleva um sentimento infame ao nível da mais sublime poesia.

9/25/2014

Histórias (des)encantadas para crianças


Ontem decidi que estava na hora de começar a ler histórias à Lara.
Pus-me a pesquisar contos dos irmãos Grimm que ainda não conhecia, assim, divertia-se ela e eu também.
Depois de passar os olhos por alguns títulos pouco chamativos tais como: “O bando de maltrapilhos”, “A noiva do bandido”, “Pele de bicho”, “O ladrão e o seu mestre”, “O judeu no meio dos espinhos”, ”O filho ingrato”, “A velha mendiga”, “Uma porção de mentiras juntas” e outros igualmente sombrios, decidi-me por: “O pescador e a sua mulher”.

Começa mais ou menos assim:

Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia, a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.
Não tinham razões para serem felizes.
Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte (…) e encontraria um tesouro – e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal.

Não admira que metade de nós sofra com distúrbios psicológicos. Estas histórias são uma desgraça: cheias de personagens, inacreditavelmente pobres, azarados e miseráveis, que não conseguem mudar de vida a não ser que encontrem um tesouro ou uma entidade mágica que lhes conceda todos os desejos.  

Estou a ver que tenho que inventar as minhas próprias histórias.
Qualquer coisa como: “Era uma vez um pobre pescador que vivia pobremente com a sua mulher porque não tinha um barco. O pobre pescador emigrou com a mulher para um país onde se fabricavam belos barcos. Então, ele aprendeu o ofício de fabricar barcos durante meia dúzia de anos. Já mestre na construção de barcos, o pescador voltou à sua terra onde, depois de construir um robusto barquinho, passou a pescar mais peixes e a ganhar mais dinheiro. No Natal, ofereceu uma linda máquina de costura à sua mulher, com a qual ela não só fez lindos vestidos para si, como também passou a colaborar para o orçamento familiar, costurando para as pessoas da aldeia. E assim, viveram felizes e remediados para sempre.

O que vos parece? Melhor ou quê?



9/23/2014

Queques de cenoura e Canela



Ontem apeteceu-me experimentar uma receita nova. 
É suposto levar um docinho para um jantar que tenho hoje, em casa dos pais do vinil, mas algo me diz que já devem estar fartos das minhas, deliciosas mas habituais, queijadas de leite.
Optei por uns simpáticos e pouco perniciosos queques de cenoura e canela.
 Ficaram bem bons, apesar de não serem muito doces, e acompanham fantasticamente um café ou um chá.

Ficaram fofinhos, fofinhos!

Como gosto de partilhar as coisas boas, cá está a receita:

Ingredientes

400 g de cenouras
240 g açucar
4 ovos
100 g leite
80 g de óleo
360 g farinha integral
3 colheres de chá de canela em pó
2 colheres de chá de fermento para bolos
30 formas de queijada + 30 formas de papel

Ralar a cenoura na bimby: 15 seg / vel 7. Reservar.
Colocar a borboleta, juntar os ovos e o açúcar. Programar 5 min/ 37º / vel3,5.
Adicionar o leite e a cenoura, programar 30 seg / vel 3.
Juntar o óleo, programar 1min / vel 3.
Juntar a farinha com o fermento e a canela, e programar 20 seg / vel 3.

Colocar as formas de papel, untadas com margarina, dentro das forminhas de queijada. Deitar a massa nas formas e levar ao forno pré-aquecido a 180º cerca de 25 minutos, até ficarem dourados.

Agora é papá-los. :)

9/19/2014

Sinal claro de que estamos a ficar completamente xexés




Ontem deitei-me por volta da uma da manhã. O ritual foi o mesmo de todos os dias: adormecida a bebé, é usufruir dos minutos possíveis a ler "Lolita" no iPad (com o brilho no mínimo para não fazer muita claridade).
Quando começo a trocar as letras das palavras, fecho o iPad e durmo.

Acordo com a sensação de ter dormido bem. Às vezes acordo com a sensação de ter sido espancada de noite, mas hoje pensei: " Que noite bem dormida! Sinto que dormi 8 horas de seguida, que sensação de frescura e vitalidade!". Nisto, sigo com os procedimentos habituais e vou tomar duche.

Estava já com o cabelo enfeitado com um lindo turbante de espuma, perdida nos meus pensamentos matinais, quando oiço uma voz masculina, do outro lado da cortina de duche:"Mas tu estás sonâmbula ou quê?!"
Mentalmente dou um gigante salto de susto (mania de certas pessoas se movimentarem em completo silêncio!) e começo a imaginar se estarei realmente a dormir e, pior que tudo, o que poderei ter feito durante o meu estado adormecido. Um incêndio, uma inundação, um passeio pela rua em trajes menores? Sim, porque isto de estar a dormir pode dar para tudo, mesmo para as coisas mais escandalosas e estúpidas. Muito medo!

"O que é que eu fiz?" pergunto receosamente.

"São 3 da manhã." diz ele.
"Começo a ficar verdadeiramente assustado." E vai-se deitar outra vez.

Bem... Já que estava com a mão na massa (leia-se com o corpito de molho), acabei o banho e fui dormir outra vez.
Claro que fiquei com um penteado magnificamente volumoso pela manhã.

Moral da história: Meses de noites mal dormidas têm, de facto, consequências psicológicas que não devem ser negligenciadas.

9/17/2014

Lolita


Comecei a ver o filme de  1962, realizado por Stanley Kubrick, mas deixei-o a meio para começar a ler o livro. Estou a adorar! Há muito tempo que não lia algo tão bem escrito e interessante.
O tema, em si e de forma direta, não é aquilo que mais me interessa, mas a forma como o livro está escrito, a forma como nos envolve na mente daquele homem perturbado, é verdadeiramente cativante e sublime.
Estou a lê-lo no iPad, de noite e à tarde, nos pequenos pedaços de tempo que vou tendo livres. O livro merecia mais atenção que a oferecida pela minha consciência ensonada e entorpecida mas, um dia mais tarde, hei de voltar a lê-lo com mais atenção.
Depois de terminar esta leitura, verei o resto do filme de 1962 e, logo de seguida, o filme de 1997, com o Jeremy Irons, que já me disseram ser fantástico.