9/29/2014

Lolita



Adaptação cinematográfica da obra de Vladimir Nabokov, que relata a relação, conturbada e moralmente inaceitável, entre um homem de meia idade e a sua enteada de 12 anos (no filme Lolita tem 14 anos).
Os amantes viajam pelos EUA, fingindo ser pai e filha, até que a sua relação evolui para um estado psicologicamente insustentável, culminando num inevitável crime de expiação de culpa.

Dirigido por Adrian Lyne.

Brilhantemente realizado e interpretado, eleva um sentimento infame ao nível da mais sublime poesia.

9/25/2014

Histórias (des)encantadas para crianças


Ontem decidi que estava na hora de começar a ler histórias à Lara.
Pus-me a pesquisar contos dos irmãos Grimm que ainda não conhecia, assim, divertia-se ela e eu também.
Depois de passar os olhos por alguns títulos pouco chamativos tais como: “O bando de maltrapilhos”, “A noiva do bandido”, “Pele de bicho”, “O ladrão e o seu mestre”, “O judeu no meio dos espinhos”, ”O filho ingrato”, “A velha mendiga”, “Uma porção de mentiras juntas” e outros igualmente sombrios, decidi-me por: “O pescador e a sua mulher”.

Começa mais ou menos assim:

Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia, a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.
Não tinham razões para serem felizes.
Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte (…) e encontraria um tesouro – e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal.

Não admira que metade de nós sofra com distúrbios psicológicos. Estas histórias são uma desgraça: cheias de personagens, inacreditavelmente pobres, azarados e miseráveis, que não conseguem mudar de vida a não ser que encontrem um tesouro ou uma entidade mágica que lhes conceda todos os desejos.  

Estou a ver que tenho que inventar as minhas próprias histórias.
Qualquer coisa como: “Era uma vez um pobre pescador que vivia pobremente com a sua mulher porque não tinha um barco. O pobre pescador emigrou com a mulher para um país onde se fabricavam belos barcos. Então, ele aprendeu o ofício de fabricar barcos durante meia dúzia de anos. Já mestre na construção de barcos, o pescador voltou à sua terra onde, depois de construir um robusto barquinho, passou a pescar mais peixes e a ganhar mais dinheiro. No Natal, ofereceu uma linda máquina de costura à sua mulher, com a qual ela não só fez lindos vestidos para si, como também passou a colaborar para o orçamento familiar, costurando para as pessoas da aldeia. E assim, viveram felizes e remediados para sempre.

O que vos parece? Melhor ou quê?



9/23/2014

Queques de cenoura e Canela



Ontem apeteceu-me experimentar uma receita nova. 
É suposto levar um docinho para um jantar que tenho hoje, em casa dos pais do vinil, mas algo me diz que já devem estar fartos das minhas, deliciosas mas habituais, queijadas de leite.
Optei por uns simpáticos e pouco perniciosos queques de cenoura e canela.
 Ficaram bem bons, apesar de não serem muito doces, e acompanham fantasticamente um café ou um chá.

Ficaram fofinhos, fofinhos!

Como gosto de partilhar as coisas boas, cá está a receita:

Ingredientes

400 g de cenouras
240 g açucar
4 ovos
100 g leite
80 g de óleo
360 g farinha integral
3 colheres de chá de canela em pó
2 colheres de chá de fermento para bolos
30 formas de queijada + 30 formas de papel

Ralar a cenoura na bimby: 15 seg / vel 7. Reservar.
Colocar a borboleta, juntar os ovos e o açúcar. Programar 5 min/ 37º / vel3,5.
Adicionar o leite e a cenoura, programar 30 seg / vel 3.
Juntar o óleo, programar 1min / vel 3.
Juntar a farinha com o fermento e a canela, e programar 20 seg / vel 3.

Colocar as formas de papel, untadas com margarina, dentro das forminhas de queijada. Deitar a massa nas formas e levar ao forno pré-aquecido a 180º cerca de 25 minutos, até ficarem dourados.

Agora é papá-los. :)

9/19/2014

Sinal claro de que estamos a ficar completamente xexés




Ontem deitei-me por volta da uma da manhã. O ritual foi o mesmo de todos os dias: adormecida a bebé, é usufruir dos minutos possíveis a ler "Lolita" no iPad (com o brilho no mínimo para não fazer muita claridade).
Quando começo a trocar as letras das palavras, fecho o iPad e durmo.

Acordo com a sensação de ter dormido bem. Às vezes acordo com a sensação de ter sido espancada de noite, mas hoje pensei: " Que noite bem dormida! Sinto que dormi 8 horas de seguida, que sensação de frescura e vitalidade!". Nisto, sigo com os procedimentos habituais e vou tomar duche.

Estava já com o cabelo enfeitado com um lindo turbante de espuma, perdida nos meus pensamentos matinais, quando oiço uma voz masculina, do outro lado da cortina de duche:"Mas tu estás sonâmbula ou quê?!"
Mentalmente dou um gigante salto de susto (mania de certas pessoas se movimentarem em completo silêncio!) e começo a imaginar se estarei realmente a dormir e, pior que tudo, o que poderei ter feito durante o meu estado adormecido. Um incêndio, uma inundação, um passeio pela rua em trajes menores? Sim, porque isto de estar a dormir pode dar para tudo, mesmo para as coisas mais escandalosas e estúpidas. Muito medo!

"O que é que eu fiz?" pergunto receosamente.

"São 3 da manhã." diz ele.
"Começo a ficar verdadeiramente assustado." E vai-se deitar outra vez.

Bem... Já que estava com a mão na massa (leia-se com o corpito de molho), acabei o banho e fui dormir outra vez.
Claro que fiquei com um penteado magnificamente volumoso pela manhã.

Moral da história: Meses de noites mal dormidas têm, de facto, consequências psicológicas que não devem ser negligenciadas.

9/17/2014

Lolita


Comecei a ver o filme de  1962, realizado por Stanley Kubrick, mas deixei-o a meio para começar a ler o livro. Estou a adorar! Há muito tempo que não lia algo tão bem escrito e interessante.
O tema, em si e de forma direta, não é aquilo que mais me interessa, mas a forma como o livro está escrito, a forma como nos envolve na mente daquele homem perturbado, é verdadeiramente cativante e sublime.
Estou a lê-lo no iPad, de noite e à tarde, nos pequenos pedaços de tempo que vou tendo livres. O livro merecia mais atenção que a oferecida pela minha consciência ensonada e entorpecida mas, um dia mais tarde, hei de voltar a lê-lo com mais atenção.
Depois de terminar esta leitura, verei o resto do filme de 1962 e, logo de seguida, o filme de 1997, com o Jeremy Irons, que já me disseram ser fantástico.

9/10/2014

Mudei de casa 10 vezes #1 - O quarteirão Cor de Rosa


Saio de casa um pouco antes das 8h00 da manhã. O ar, de verão a acabar, está cada vez mais fresco. Desço a rua em direção ao meu local de trabalho. Logo no inicio, à direita, encontro uma barriga enfiada numa camisa, sempre o mesmo senhor, sempre à mesma hora, na mesma posição, a camisa muda de cor mas não de feitio. Atravesso o centro da cidade antes de chegar ao trabalho. As casas brancas e altas, contornadas de cinzento vulcânico, pertencem quase todas a bancos e companhias de seguros. É pena. Algumas estão degradadas, essas não pertencem a bancos, penso eu.
Gosto do centro da cidade de Ponta Delgada, mas acho que podia ser mais bonito. Acho sempre que tudo podia ser melhor. 
Deve ser por isso que mudei de casa tantas vezes.

Desde que saí de casa dos meus pais, há 12 anos. mudei de casa 10 vezes. Não, não tenho um feitio terrível que ninguém consegue aturar! Sou sagitário e gosto, naturalmente, de mudança. Estou sempre pronta a fazer as malas (bem... quase sempre).
Fui para Lisboa logo que acabei a universidade e comecei a viver na Ramada, num apartamento com duas raparigas extremamente independentes: uma colombiana de 25 anos que era gerente no Mac Donalds e tinha emigrado com o namorado (agora ex), e uma rapariga de Lisboa, de 23 anos, cujos pais e irmãos tinham emigrado para Londres (sempre me perguntei o que é que ela tinha ficado a fazer, sozinha, em Lisboa).
Gostava de viver ali, gostava das conversas que tinha com a colombiana, das nossas idas à praia, das fotos que ela me mostrava da sua família, e das suas histórias de vida, tão diferentes daquilo que eu conhecia como realidade. Ela era muito engraçada: levantava-se às 6 da manhã para se maquilhar maravilhosamente bem, todo o quarto dela era branco, assim como a roupa e os objetos que lhe pertenciam. Fazia as malas e ia para Espanha e outros sítios, ficando em casa de amigos virtuais que nunca vira na vida. E parecia correr sempre bem. Tentou convencer-me a ir a uma discoteca de salsa e outras latinidades. Não me apanhou nessa. Acho que a admirava. :) Conseguia poupar dinheiro para enviar à família. Já não existe ninguém assim.
A outra rapariga não se dava com ela. Eu falava com as duas, mas gostava mais da colombiana.

O quarteirão onde vivíamos era cor de rosa e tinha tudo o que precisávamos: supermercado, banco, farmácia, um clube de vídeo e um café maravilhoso que vendia umas bolachas caseiras deliciosas. O funcionário do clube de vídeo gostava muito de cinema independente e aconselhou-me alguns dos filmes mais bizarros e interessantes que já vi.
Na altura, no inicio dos meus 20 anos, ver cinema independente era o meu principal passatempo, naquilo que eu chamo uma neo-adolescência prolongada. Foi nessa altura que vi o "Ichi the Killer", o filme mais violento da minha lista de visionados (o Saw é para criancinhas). Cheguei a sentir um pouco de empatia pelos masoquistas. Nesse tempo, conseguíamos arranjar filmes mesmo bons, tão bons que nos faziam vivê-los de dentro e transportá-los para a nossa própria vida.
Não via os filmes na minha casa, era sempre em casa de amigos, quase todos rapazes, e quase sempre em grupos de 3 ou mais.
Esqueci-me de quanto tempo vivi no quarteirão cor de rosa porque, na verdade, passava muito pouco tempo em casa.
Fartei-me de estar tão longe de tudo e mudei-me para uma cave em Odivelas. Sempre ficava mais perto do metro e tinha a vantagem (pensava, ingenuamente, eu) de ser a casa de uma conhecida.


To be continued…

9/05/2014

Doces que Adoro

Este post é uma dura prova de resistência. Há meses que não como doces "à vontade" porque tenho intolerância à glicose ou seja, a minha glicemia está com valores elevados mas não tão elevados que se considere diabetes. Assim sendo, devo manter-me afastada de açúcar.
Vou ter que reaprender a fazer os doces, substituindo o açúcar por adoçante. Já fiz uma experiência com arroz doce mas não ficou grande coisa. Vou continuar a tentar. Até lá, é comer um docito só muito de vez em quando.

Segue uma pequena lista dos meus preferidos:






Mousse de Chocolate.
Tem de ser caseira e consistente, daquelas que têm pequenas bolhinhas de ar dentro. A bimby faz uma mousse de chocolate maravilhosa. Era capaz de comer uma taça grande inteira, daquelas que dão para 10 pessoas.
Gosto de comer a mousse devagarinho e com colheres de café, para prolongar o prazer o máximo de tempo possível. Chamemos a este método degustação tântrica. :)






Broas de Especiarias.
Não sei se o nome correto é este. São umas broas pequenas e escurinhas, cobertas de açúcar e com uma amêndoa no centro. Até agora, só as encontrei em Alpiarça e representam uma doce recordação de infância. Adoro aquele sabor a canela, erva-doce e outras especiarias. Faz-me lembrar sempre o "Dia de Todos os Santos" quando se comiam frutos secos e broas. Será sempre um dos meus doces preferidos e um dos responsáveis por eu gostar tanto do sabor da canela.





Arroz Doce.
A minha avó faz um arroz-doce fantástico que eu aprendi a reproduzir de uma forma que não me envergonha nada. Como havia de vez em quando em casa, nunca liguei muito mas, recentemente, passei a apreciar mais esta sobremesa. Parece-me ser das menos perniciosas, se levar pouco açúcar. Gosto dele sequinho e com o arroz pouco cozido. Fica ótimo com açúcar amarelo, com um ligeiro travo a caramelo.










Bavaroise de Nescafé.
Na verdade só comi uma vez, mas adorei. É uma espécie de mousse de cappuccino.
Já gostava muito de bavaroise de chocolate e natas mas gosto ainda mais de nescafé.










Bebinca.
Adoro, adoro, adoro!
Arrisco-me a dizer que é mesmo a minha sobremesa preferida de todas. É uma espécie de pudim de origem indo-portuguesa, de Goa, com várias camadas. Tive a feliz oportunidade de experimentar bebinca mesmo de Goa e devo dizer que em nada se compara com as que se servem em restaurantes indianos. É simplesmente divinal!