3/05/2013

Argo



Em 1979, no Irão, o clima de revolta em relação à América culmina com a invasão da embaixada Americana e a detenção de cinquenta e dois americanos como reféns. Seis conseguem fugir e refugiar-se na embaixada do Canadá até que um especialista da CIA chega para resgatá-los através de um plano tão mirabolante quanto arriscado.

Dirigido por Ben Affleck.

Gostei bastante do ambiente de medo retratado. Sentia-se o perigo e no ar e na pele. 




Ruby Sparks



Um jovem escritor em crise artística e pessoal cria uma personagem feminina com todas as características de uma namorada perfeita. Um dia a rapariga torna-se real e começa a viver em casa dele. O facto do jovem poder controlar a rapariga através da escrita não impede a relação de se tornar demasiado normal e até problemática.

Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris.

Gostei bastante desta comédia. É original, inteligente e muito atual. 





3/03/2013

Anna Karenina



Uma belíssima mulher da aristocracia russa do século XIX, casada e mãe, apaixona-se por um oficial com quem vive um tórrido romance extraconjugal. Na busca da felicidade, os amantes vão viver juntos mas Anna sofre com a rejeição da sociedade e entra numa espiral de degradação psicológica que a conduz a um trágico final.

Dirigido por Joe Wright.

Um dos melhores dramas clássicos que já vi.




No



No final dos anos 80, um jovem publicitário é convidado a criar a campanha do "Não" que derrubará a violenta ditadura de Pinochet no Chile, num referendo imposto por pressão internacional. Para além de lutar contra as ameaças do regime de Pinochet, o publicitário tem de lutar contra membros da sua própria fação política, descrentes na sua campanha alegre, leve e até divertida para colocar fim a um regime que deixara 40.000 vítimas.

Dirigido por Pablo Larraín.

Gostei bastante. 


5/30/2010

Lost

E estavam todos mortos...

Fica a desilusão para quem esperava um final científico e surpreendente.

As interpretações do final de Lost podem ser muitas e variadas, não que seja um final totalmente "em aberto" mas deixa muitas coisas por explicar.

A minha interpretação pode mudar com a distância do tempo e depois de pesquisas mais profundas. Até agora, limitei-me a ver a série até ao final.

Isto é apenas uma opinião subjectiva.

Houve um acidente de avião e morreram todos.
A série constrói-se, então, a partir da alma/mente de uma pessoa - Jack Shephard - que vagueia num limbo imaginário tentando alcançar a libertação de si próprio e do seu apego ao que foi a sua vida e ao que foram as suas convicções.

Trata-se de uma espécie de "tratado filosófico e existencialista televisivo" onde se cruzam personagens e cenários sociais representativos do que o homem é interior e socialmente.

Homens e mulheres com personalidades e histórias de vida complexas são colocados num ambiente totalmente virgem. Podem começar as suas histórias de novo, sendo que ninguém os conhece.
Têm, porém, que lutar contra os fantasmas do passado.

Não vale a pena falar de cada uma das histórias, todos já as conhecem pelo que, dou um passeio rápido pela de Jack, que funciona como o fio condutor de tudo:

Jack morre quando vai buscar o corpo do pai à Austrália; pai com que tinha uma relação extremamente conflituosa - Jack morre num momento em que sente rancor pelo pai e sente que não poderá já resolver os seus conflitos (uma vez que aquele havia morrido).

O médico vive na ilha sendo o que sempre foi: líder natural, sempre a tentar resolver tudo e carregando em si a responsabilidade de tomar conta de todos os outros.
Ao mesmo tempo vê o pai na ilha, assim como se vêem outras coisas estranhas (sendo os mortos apenas uma delas). O pai de Jack surge também como uma das facetas do "fumo preto", símbolo do mal.

Temos Jacob como face da harmonia e bem e o "fumo preto" representando o caos, a revolta e o mal. Muitas vezes Jack não consegue discernir qual deles é o bem e o certo, seguindo ora um, ora outro.

A iniciativa dharma e a questão das radiações da ilha não passam da representação de mais uma crença do homem - a crença actual na ciência como explicação para o real.

Tudo o que acontece de estranho da ilha - ursos polares, viagens no tempo e no espaço inexplicáveis, curas repentinas- tem os limites da nossa mente. Se estão todos mortos e a única coisa que sobreviveu foi o espírito/mente, tudo o que acontece, tudo o que "é", tem de estar ao nível do mental e não do físico - tem os limites da nossa concepção mental.

No fim, a ideia principal: "move on".
A série era isso- todo o percurso espíritual de Jack na aceitação da sua própria morte. A reconciliação com o pai, com ele mesmo, o deixar para trás tudo o que foi a sua vida e seguir em frente.

Curioso o vitral que aparece na igreja onde todos os personagens se reúnem no último episódio: tem os símbolos de várias das mais importantes crenças do homem : Cristianismo, Hinduísmo, Judaísmo, Budismo.

1/11/2010

The Road


"The Road" é um filme de John Hillcoat baseado no livro de Cormac McCarthy que conta a demanda de um pai e um filho por um local melhor para sobreviver. O cenário é um mundo pós apocalíptico onde todas as formas de vida estão a definhar.

Pai e filho seguem até ao sul arrastando um carrinho de compras com os seus parcos e miseráveis pertences, tendo como companhia constante a fome e o frio.
Toda a história se baseia no que encontram pelo caminho: a miséria humana nas mais bizarras variantes e, na forma como a sua humanidade reage às provações da sobrevivência.

É-me impossível não comparar este filme com o "Ensaio sobre a Cegueira" de Fernando Meirelles, pelo tema e pela forma como os homens são retratados quando submetidos a uma anarquia forçada e à selvática luta por mais um dia de vida.

O mundo surge sempre em tons de cinzento num ambiente de total abandono e destruição.
A prioridade deste pai é a sobrevivência do filho, a procura constante de comida e roupa num terreno infértil e impiedoso. O pai, tenta ainda preparar o seu filho psicologicamente para sobreviver sozinho, ensinando-lhe também a melhor forma de se suicidar se for apanhado por um "homem dos maus".
O principal medo é, por um lado morrer de fome e frio e, por outro, ser apanhado por um dos muitos grupos de homens e mulheres canibais que foram surgindo. Em simultâneo existe a luta para eles próprios não tornarem a sua humanidade refém da sua sobrevivência animal.

Sem ser muito original na temática, trata-se de uma obra tocante sobre amor e esperança numa humanidade que oscila entre a selvajaria mais atroz e a sensibilidade mais sublime.

Este filme foi uma viagem muito tocante ao que existe de mais íntimo e puro em cada homem, seja uma inclinação terrível para o mal ou o tipo de compaixão que só se encontra no espírito ainda puro e inocente de uma criança.

De notar ainda os diálogos simples e perfeitos e a excelente interpretação de Viggo Mortensen e Kodi Smit-McPhee como pai e filho.

12/17/2009

Actividade Paranormal



"Paranormal Activity" é, sem dúvida, um filme barato. Se é um bom filme ou não depende das expectativas e preferências de cada um.

Para quem gosta deste género de terror é um bom filme, para quem não dispensa efeitos especiais e monstros irreais já não será tão bom.

Fui ver o filme com moderada expectativa mas, ao contrário de considerável parte dos espectadores não vi as minhas expectativas goradas, muito pelo contrário.
Sou um pouco suspeita porque gosto especialmente de filmes com pouca produção, principalmente neste género que vigora desde o " Blair Witch Project".

Na minha opinião o que define realmente um filme é a ideia original e todo o guião que lhe dá forma (Seja ele em papel ou estando apenas na mente do autor). Este guião vai definir o que um filme deve ser, o ambiente que deve geral, a forma como uma história ou um acontecimento vai transformar-se numa sequência lógica de acontecimentos ou pensamentos aos olhos do espectador.
Depois, a produção pode ser muita ou pouca, boa ou má, mas não é ela que vai definir o filme ou a sua viabilidade.

Este filme teve um guião muito bom e a ideia é simples mas foi muito bem concebida.

Temos uma situação que não é estranha a ninguém; se nunca vivemos esta experiência
conhecemos alguém que conhece alguém que jura que a viveu.
De uma forma ou de outra, estes fenómenos paranormais estão presentes no nosso imaginário desde a infância, não se trata de monstros inverosímeis ou fantásticos mas de "paranóias" que nos podem ser mais ou menos familiares.

Depois, temos todo o ambiente que nos aproxima dos personagens. Um casal jovem e
banal, tão banal que podíamos ser nós, aquela podia ser a nossa casa ou dos nossos amigos. Ela é uma rapariga simpática, meiga, assustada e comum. Ele, o namorado céptico, bem humorado e brincalhão que não leva a situação muito a sério mas sente-se desafiado por ela ( a situação).

Durante a primeira metade do filme não se passa quase nada. Ficamos como mirones a observar o quotidiano daquelas duas pessoas: as suas conversas, brincadeiras e actividades banais de quarto, cozinha e casa de banho.


Tudo o que acontece não passa de senso comum: as actividades paranormais mais ou menos intensas, a ideia de que não devemos mexer com entidades malignas sem as convidar de vez entrar na nossa vida é o que acontece na película: é aberta uma porta e a criatura invisível impõe-se; ela deixa de mexer com pequenas coisas e começa a mexer com as pessoas, qual demónio brincalhão divertindo-se a estraçalhar os nervos de Micah e Katie e também os nossos.
Assustamo-nos com a escuridão, com um barulho e com tudo que não acontece (e que não sabemos o que é) qual crianças pequenas com medo do que está no armário ou debaixo da cama.

Quando a entidade começa a mexer com as pessoas torna-se arrepiante, aquela coisa que podia não ser nada começa a mexer verdadeiramente com Katie e permanece completamente anónima; sabemos que está ali (temos provas físicas) mas não podemos ver e não podemos fugir.
No final, acontece o mais ou menos imprevisível e é perfeito.

Vi o filme em Ponta Delgada e, aqui, faz-se intervalo a meio do mesmo; durante o intervalo um casal (talvez aborrecido com a falta de acção) retirou-se e não voltou durante uns 30 minutos.
Quando voltou já estávamos na parte em que a entidade paranormal tomava conta de Katie levando-a a ter atitudes bizarras como ficar parada, em pé, durante horas, na mesma posição virada para o namorado enquanto este dormia. A rapariga que que havia saído da sala resolveu ir buscar as pipocas mesmo depois disto e o facto de ver uma rapariga de pé ali ao meu lado estava a dar-me cabo dos nervos.
O meu inconsciente dizia-me que devia perguntar-lhe o que estava ali a fazer em pé, a meio do filme como uma tola e dei por mim a olhar para ela com bastante impaciência
Et voilá, uma fórmula barata e muito eficaz de fazer um bom filme.