8/18/2014

Coisas que o Miguel Sousa Tavares diz


Sempre achei piada ao Miguel Sousa Tavares e à forma "desbocada"como ele diz as coisas.
Como é evidente, não concordo com muito do que ele afirma, nem o considero um guru de sabedoria, mas identifico-me com ele em muitos aspetos e acho que tem uma personalidade verdadeiramente interessante.

Quanto ao "Alta Definição" não é, nem de longe nem de perto, a minha forma de entretenimento preferida mas, cruzei-me com o programa sobre o Miguel Sousa Tavares no Youtube e decidi ver. Não é que gostei?

Vejamos o que ele diz:

Sobre o tabaco
"Eu controlo aquilo que fumo até às 9h30 da noite e a partir daí perco o controlo.
O meu cérebro está preparado para disparar com nicotina.
Quando mudei da escrita manual para o computador, achei que ia fumar muito menos porque ia ter as duas mãos ocupadas. É mentira. O que acontece é que o meu computador está sempre ocupado com cinza, mais nada."

Sobre o Facebook
"Detesto expor a minha vida a outras pessoas e a pior coisa, para mim, seria ter 5000 amigos. Eu não tenho 5000 amigos, de facto. Nem queria ter. Tomara eu ter 50 verdadeiros amigos, aqueles a quem eu confesso as coisas que as outras pessoas confessam a 5000 no Facebook.
Tenho visto coisas que me arrepiam, como estar à conversa num grupo de amigos, e estar lá alguém ansioso para ir para casa, para o Facebook. Acho que isso é a inversão da vida e algo demencial e assustador."

Sobre o que as pessoas pensam de si
"As pessoas têm de mim uma imagem de pessoa zangada. Essa imagem é falsa. Adoro viver e adoro a vida que tenho. Tiro todo o partido das coisas boas da vida.
Fiz todas as coisas que queria fazer, o que também quer dizer que não sonhei para além daquilo que era possível.
Devia ter vergonha de dizer isto. Hoje em dia declarar-se feliz, satisfeito e com os sonhos todos
cumpridos parece provocatório."

Sobre o seu maior desejo
"O que eu mais queria na vida era ser livre.
Não há ninguém que possa dizer o que é que eu vou fazer e o que é que eu não vou fazer.
Não há nada a que eu aspire, nenhum cargo ou bem material, nenhuma fortuna que queira ganhar, negócio que queira fazer.
Eu faço as três coisas que mais gosto (ler, escrever e pensar) e ainda me pagam para isso. Isso é o cúmulo da liberdade, não troco isso por nada."

Sobre os outros
"É preferível pessoas com mau feitio e bom caráter.
Estou farto de pessoas com bom feitio e mau caráter.
O bom feitio é uma coisa muito perigosa.

Sobre as coisas que não se lhe apresentam aprazíveis
"Detesto música quando música não é o principal do que está a acontecer.
Detesto que as dores de dentes só aconteçam à sexta-feira de noite, que é quando o dentista está fechado.
Detesto que me toquem à campainha quando não me apetece ir à porta.
Detesto que me telefonem, sobretudo para casa.
Não gosto do medo, de terramotos, não gosto de aviões, não gosto de perder tempo, não gosto de coisas inúteis e gente estúpida."

Sobre o facto de agradar às senhoras
"Digamos que, se cada homem tem uma quota de mulheres que se apaixonaram por eles ao longo da vida, talvez eu esteja acima da quota. É sempre melhor saber que gostam de nós do que não gostam. Estou como o outro, mais vale jovem, bonito e saudável do que pobre, feio e velho."

Sobre inspiração
"Gosto muito de vestir um casaco especial que tenho, de malha , que acho que me inspira para escrever."

Sobre a sua educação
"Em tudo o que era essencial e não acessório, eu tive a educação certa.
O desejo de ser livre é uma coisa que aprendi com o meu pai de uma forma tão intensa que nunca mais me passou, inclusive quando me revoltava contra ele, em nome da educação que ele me tinha dado.
Acho que os meus pais viram o essencial que gostariam de ter visto de de mim e de qualquer outro filho. Viram que ele sabia fazer-se à vida, tinha a capacidade de ser livre, tinha a capacidade de abrir caminho e que tinha herdado os valores que tinham sido transmitidos.

Sobre os brasileiros
A alegria dos brasileiros é uma coisa contagiante. Às vezes, quando estou a passear no calçadão do Rio de Janeiro, ao cair da noite, fico impressionado com a quantidade de gente que salta para a praia para jogar futebol, para fazer uma batucada, para se sentar na esplanada a beber copos. É uma coisa extraordinária! Eu gostava de ser assim, porque eu não sou. Eu sou português, taciturno e pessimista em relação ao que vai acontecer com o meu país.

Sobre a mãe
"Quem quer que tenha lido a poesia da minha mãe sabe que ela era uma pessoa apaixonada pela vida, como eu sou. Pelas coisas mais banais como um bom peixe, um jardim ao luar. E, dessas coisas, foi ela que me ensinou a gostar. Por isso, cada vez que eu me deparo com a beleza das coisas, lembro-me dela."


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